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A maior vantagem que a IA trouxe para o financeiro não foi a redução de custo.

Éder Manchebo ·Sócio e Diretor de Operações · ·4 min de leitura

Foi a velocidade.

Pensei bastante nisso nas últimas semanas. Inclusive isso gerou bastante discussão aqui na rede, recentemente, depois de um post em que comparo o CFO de 2020 com o de 2026.

Mas essa é a realidade: o mercado não está mais separando empresas entre grandes e pequenas, está separando as rápidas das lentas. E essa velocidade, cada vez mais, passa pelo financeiro.

Durante muitos anos, o CFO foi reconhecido por dominar planilhas, fechar balanços, controlar custos e garantir compliance. E isso nunca foi um problema, por que, afinal, tudo isso continua importante, mas já não é suficiente para o que o mercado exige agora.

E não é apenas eu que reparei nisso. Tenho feito perguntas para líderes financeiros com quem converso e, de alguns, escuto relatos de um financeiro que ainda opera como um departamento de fechamento. Até aí nada de errado, apenas uma grande oportunidade desse setor se tornar tudo aquilo que esperamos dele: um centro inteligente de decisões.

Ok, Éder. Mas de onde você tirou isso?

Os dados mostram que essa transição está acontecendo agora. Uma pesquisa da Deloitte com 200 CFOs norte-americanos revelou que 50% apontam a transformação digital do financeiro como sua principal prioridade para 2026, e mais da metade já planeja integrar agentes de IA nos processos do departamento.

Ao mesmo tempo, uma survey da L.E.K. Consulting mostrou que 54% dos CFOs acreditam que atrasar a adoção de IA vai desacelerar a capacidade de crescimento das suas empresas, sendo que apenas 11% já usam IA de forma efetiva dentro do financeiro hoje.

Todo mundo sabe que precisa mudar e poucos já mudaram. Esse gap é, ao mesmo tempo, um risco e uma oportunidade.

O que o CFO conectado faz de diferente

Não estou falando de um profissional que sabe tudo sobre tecnologia. Estou falando de alguém que entende como usar tecnologia para ampliar capacidade analítica, velocidade e vantagem competitiva. É ter as ferramentas certas, com as pessoas certas no momento certo.

A Bain & Company aponta que a maior vantagem percebida pelos CFOs que já adotaram IA é a velocidade. Essa capacidade de comprimir o ciclo entre o sinal de mercado e a decisão de gestão, de semanas para dias, está se tornando uma vantagem competitiva real. Analisar desvios em minutos, cruzar dados operacionais e contábeis automaticamente, prever tendências com maior antecedência, e transformar dados dispersos em decisões, tudo isso deixou de ser diferencial e passou a ser o padrão esperado de quem ocupa essa cadeira.

Um exemplo prático disso: desenvolvemos o DEF inteligente para o mercado de concessionárias, um segmento onde a complexidade operacional é alta e a tomada de decisão ainda depende, na maioria das empresas, de fechamentos mensais que chegam tarde. O DEF reúne em um único painel o resultado por departamento, peças, serviços e máquinas, com uma IA integrada que analisa os desvios e aponta o que fazer em tempo real, sem esperar a reunião do mês para isso.

O diferencial que mais impacta quem vê pela primeira vez é o benchmark. O CFO deixa de se comparar com o seu próprio histórico e passa a enxergar onde está de verdade em relação ao mercado. O problema se livra do "estamos piores do que no mês passado" e passa a ser "estamos abaixo do que o mercado já entrega".Essa é apenas uma das movimentações que alguns clientes da Value já vem aplicando.

E não é só a Value, empresas ao redor do mundo já tem trabalhado para isso acontecer. Várias empresas de grande porte já estão nessa maratona. Separei aqui uma visão de como essas organizações estão investindo:

Um ponto que vale a reflexão

Uma pesquisa global com quase 1.700 CFOs e líderes financeiros mostrou que mais de 60% esperam transformação significativa em modelagem financeira, FP&A e alocação de capital nos próximos três anos, com a IA assumindo papel central não só nas tarefas manuais, mas nas que têm valor estratégico.

A EY já implantou 150 agentes de IA entre 80 mil profissionais de tax e finanças para automatizar coleta de dados, revisão de documentos e workflows de compliance, posicionando isso não como substituição, mas como ampliação da capacidade das equipes.

Ou seja, quem ainda enxerga IA apenas "para fazer texto" está subestimando a maior transformação corporativa das últimas décadas.

A IA não substitui o CFO. Mas vai substituir processos lentos, controles frágeis e empresas que insistirem em operar no modelo antigo.

Assim como em outras áreas, a pergunta vai além do "se" isso vai impactar o mercado financeiro e contábil. E se torna: quem vai liderar essa transformação dentro das empresas?

Seguimos pensando juntos.

Até a próxima,

Éder.

Publicado originalmente por Éder Manchebo no LinkedIn. Ver a publicação original.

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